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'Quando a pessoa está com fome, todos os outros direitos lhe foram negados', diz diretor da Ação da Cidadania

ONG começa a distribuição de 1,5 mil toneladas de alimentos nesta sexta (17). Doações para a campanha Natal sem Fome podem ser realizadas até o fim do mês.

Fonte: G1

A ONG Ação da Cidadania começa nesta sexta-feira (17) a distribuição de alimentos da campanha Natal sem Fome para o fim deste ano. Serão 1,5 mil toneladas de alimentos que foram arrecadados entre pessoas físicas e empresas, enviadas na forma de 150 mil cestas básicas.

O diretor-executivo da Ação da Cidadania destaca que as doações são uma tentativa de minimizar um direito que foi negado a parte da população do país.

Para quem ainda quiser doar, a Ação da Cidadania recebe doações e conta com diversas campanhas o ano inteiro. A organização continuará a receber alimentos para a campanha deste ano até o fim de dezembro. Mais informações no site da ONG.

"O Betinho tinha uma frase que, para mim, explica bem: ‘A fome é a pior das indignidades do ser humano’. Quando a pessoa está com fome, todos os outros direitos lhe foram negados", disse Kiko Afonso, diretor-executivo da ONG.

"O Betinho tinha uma frase que, para mim, explica bem: ‘A fome é a pior das indignidades do ser humano’. Quando a pessoa está com fome, todos os outros direitos lhe foram negados", disse Kiko Afonso, diretor-executivo da ONG.

De acordo com Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, em 2020, 19 milhões de pessoas viviam em situação de fome no país. Em 2018, eram 10,3 milhões.

As doações da campanha Natal sem Fome serão enviadas para uma rede de entidades parceiras, que trabalham de forma voluntária e que recebem as doações e distribuem nos territórios onde atuam.

Ao longo dos últimos dois anos, a ONG teve momentos de alta e queda de doações ao longo dos meses. A média de doações foi alta em 2020, caiu no começo deste ano, mas foi retomada com uma nova onda da doença.

"A Covid piora a fome, mas a fome existe mesmo que tenha a Covid. Existia antes e vai continuar a existindo depois. A gente teve um 'boom' de março até agosto, quando começa a arrefecer a Covid e as pessoas começam a parar de doar de novo. Aí a gente volta com a campanha Natal Sem Fome, que é muito conhecida", disse o diretor.

Segundo números da própria Ação da Cidadania, ao longo deste ano, em diversas campanhas, foram distribuídas cerca de 2,2 milhões de cestas básicas.

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A Ação da Cidadania foi fundada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. A campanha Natal sem Fome foi realizada pela primeira vez no mesmo ano. O fundador e vários artistas e personalidades foram à TV e aos jornais estimular cada brasileiro a fazer o que estivesse ao alcance de cada um para resolver o problema da fome no país.

Durante dez anos, a campanha Natal sem Fome deixou de ser realizada. Porém, teve que ser retomada, segundo Kiko, por uma volta da demanda por alimentos.

"A gente parou de fazer o Natal sem Fome em 2007 e ficamos até 2017 sem fazer. A gente teve que retomar a campanha pois, a partir de 2016, houve uma piora significativa destes dados, nos números da fome, e a gente começou a receber muita demanda destes comitês nacionais em relação à piora da situação

No retorno, a campanha contou com a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), além de artistas como Caetano Veloso, Daniela Mercury e Mart’nália, por exemplo. Empresas também participaram da iniciativa doando recursos, cestas ou sendo pontos de coleta.

"A gente precisa compreender que a fome é a pior das indignidades que um ser humano pode passar".

 

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