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Campanhas preparam distribuição de alimentos para o Natal; veja como ajudar

Fonte: UOL/ECOA

Hoje, no Brasil, quase vinte milhões de pessoas não têm o que comer dentro de casa. Cerca de outras 116 milhões vivem em insegurança alimentar, ou seja, não têm condições financeiras e sociais de comer bem e regularmente.

A estimativa é de um levantamento realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), e mostra o que a população brasileira já vê e sente diariamente: o agravamento da fome no país.

Na tentativa de contornar essa situação, movimentos sociais e organizações da sociedade civil têm unido forças realizando diversas campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos e produtos de necessidade básica para quem mais precisa.

Faltando pouco para o Natal, muitos desses coletivos têm intensificado os trabalhos e pedidos de ajuda para conseguir dar conta da demanda. Ecoa selecionou duas grandes campanhas nacionais contra a fome para você conhecer mais sobre:

"Natal Sem Fome"

O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, costumava contar para todo mundo a fábula do beija-flor. Quando acontece um incêndio na floresta, o pássaro começa a levar no bico a água do rio para apagar o fogo. Até escutar de outros animais que aquilo jamais seria o suficiente. O beija-flor, então, responde que sabe disso, mas que está apenas fazendo a parte dele.

É essa a inspiração para a edição deste ano da campanha Natal Sem Fome, promovida pela Ação Cidadania, maior organização não governamental de combate à fome no Brasil. Criada por Betinho em 1993, a entidade quer relembrar a população da importância de cada doação feita.

"Queremos mostrar que uma pequena doação individual, somada com várias pessoas fazendo pequenas ações, pode gerar um impacto positivo muito grande na sociedade. Cada R$ 1 doado vale um prato de comida na mesa de alguém", diz Kiko Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania.

A campanha desse ano foi lançada em outubro na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ) em meio a protestos cobrando soluções do governo quanto à piora da fome no Brasil. Empurrando carrinhos de mercados vazios, os voluntários da organização manifestaram contra a alta nos preços de produtos e alimentos, e a falta de políticas públicas para amparar boa parte da população mais pobre. "Enquanto o governo não assumir o seu papel constitucional de alimentar a população, nós da sociedade civil temos que atuar para não deixar a população morrer de fome", afirma Kiko.

Presente em todos os estados brasileiros e no distrito federal, a expectativa é que 600 mil famílias pelo país sejam ajudadas esse ano. A distribuição acontecerá entre os dias 17 e 19 de dezembro, e quem doar R$ 20 para a campanha ainda concorre a um par de ingresso para o Rock in Rio de 2022.

Para ajudar campanha "Natal Sem Fome", visite o site: https://www.natalsemfome.org.br/.

"Tem Gente com Fome no Natal"

Dizia Solano Trindade que se tem gente com fome, é preciso dar de comer. Inspirada no poeta e motivada a ajudar os que mais sofreram com o agravamento da pandemia e da crise econômica no país, a Coalizão Negra por Direitos iniciou a campanha "Tem Gente com Fome", em março de 2021.

A campanha é o resultado do que o historiador e membro da Coalizão, Douglas Belchior, acredita ser a marca da sociedade brasileira, sobretudo do povo pobre, ao resgatar as memórias afetivas de quando, em periferias e favelas, a troca de alimentos, a doação para quem mais precisa no bairro sempre foi comum.

Segundo ele, inclusive, a maior parte dos quase R$ 25 milhões arrecadados pela campanha até agora vem de pessoas físicas. Hoje, com a campanha focada no Natal, a ideia é que as mais de 222 mil famílias em situação de insegurança alimentar — que foram mapeadas previamente por organizações da Coalizão que há anos já realizam trabalhos em regiões espalhadas pelo Brasil — possam ser beneficiadas.

"O sentido do Natal é de solidariedade, de fraternidade, de amor, de partilha, de responsabilidade com o próximo. Nós temos que provocar a sociedade a praticar isso. É claro que a gente vai continuar cobrando. Nós vamos cobrar a responsabilidade dos governantes, do Estado e dos partidos políticos. Vamos continuar cobrando porque só o Estado e os governos têm condição estrutural de resolver esse problema em grande escala. Mas enquanto isso não acontece, não dá pra esperar de braços cruzados. Nós temos que fazer a nossa parte", completa o historiador.

Para ajudar campanha "Tem Gente com Fome no Natal", visite o site: https://www.temgentecomfome.com.br/

 

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